domingo, 31 de dezembro de 2023

Eu prometi: ano passado eu morri, mas este ano eu não morro.

Faz tempo que não escrevo uma retrospectiva. Faz tempo que não escrevo.

Procurando no celular uma foto janeiro X dezembro, eu vi que este ano foi mais do que eu pensava. Mais desafiador, mais importante, mais surpreendente, mais triste, mais solitário e mais feliz também. (…)


Agora eu tenho um cachorro, ganhei amor, afeto, parceria, companhia… E por falar em companhia, nunca me senti tão sozinha quanto em 2023. Nossa, o tanto que eu chorei… julgam quem bate foto chorando, mas se não fossem elas eu não lembraria do quanto que consegui ser forte! 

Antes eu enxergava claramente minha força. Eram problemas maiores, em que eu conseguia provar da minha resiliência com mais intensidade. Diferente das lutas de hoje que na maioria são internas e silenciosas.


Tô num cantinho do sofá da sala onde escrevo esse texto, pensando que a frase que eu mais falei nos últimos meses foi que eu precisava ficar sozinha, até pra ouvir meus próprios pensamentos. Rs (quem não ouviu isso de mim este ano?) Mas que loucura, se também o que mais me fez sofrer foi a solidão.

Sim; isso significa que não é sobre estar sozinha, é sobre quem é sua companhia.


Este local no sofá da sala foi quem mais me acolheu dentro de casa. Sento aqui e já desbloqueio memórias. Livros, séries, tudo em busca da tal companhia. (…) Ah se esse cantinho soubesse mesmo das histórias vivenciadas daqui.


Na rua, dentro do carro era onde as lágrimas mais rolavam. Era, muitas vezes, a falta de pegar o celular e ter pra quem contar a menor besteira do dia… só em lembrar, os olhos marejam outra vez. Mas nunca faltou com quem conversar, nunca parava de responder mensagem no WhatsApp, chegava a me consumir o tanto de notificação, tanto que passei até a ser uma pessoa demorada e péssima em responder msg. AH! Aprendi até a gostar de ligação, rsrsrs. Tanto assunto, tanto detalhe, tanta coisa pra compartilhar do dia, que tinham que ter as ligações diárias; virou até rotina. Ou seja, nunca faltou pra quem mandar msg…

Outra contradição, e quem diria né? (…)


Foi o ano em que aumentei os ciclos de amizades, ganhei novos e bons amigos, pessoas que me levaram pra frente em todos os sentidos, pessoas com quem vale a pena estar à mesa. Pessoas que quero que fiquem! 


Foi o ano em que aprendi a colecionar domingos. Inclusive, recomendo. Já percebeu o tanto de voz que tem calada num domingo? Já percebeu o significado da diferença de ansiedade pela segunda-feira? Se é por animação e empolgação, ou por se repetir uma rotina exaustiva outra vez. Esse exercício te ajuda a compreender melhor a sua vida e enxergar o que você precisa mudar. Nos domingos eu só queria um café quentinho, o tal sofá e a playlist nova tocando “ainda é cedo, amor”. (…)

O problema é que se o aleatório tocasse “anestesiado”, eu trocava imediatamente o café por vinho. Bebi muito este ano…


Foi também o ano em que mais fiz coisas por mim. Coisas que estavam nos planos há anos, guardados na gaveta. Sonhos bobos que eu jurava que nunca ia ter coragem de fazer. Mudanças pequenas e grandes. Decisões. E aqui eu vejo mais uma vez que me deixei levar por quem pensa que em 2023 eu não tive coragem nem decisões. Ah, nem imaginam o tamanho da minha coragem… Foi preciso parar e fazer esse balanço pra eu ver o quanto equivocado está quem pensa que eu fiquei parada.


Foi vendo aquelas fotos e é escrevendo este texto que eu percebo: 2023 nem de longe foi um ano ruim. Parece inacreditável que eu esteja dizendo isso, porque há algumas poucas semanas eu afirmava com convicção que este teria sido um dos piores anos da minha vida!


Em novembro, bem no período da novena de Nossa Senhora das Graças, em meio a mais uma crise de choro e de sentimento de vazio no coração, eu tive a coragem de fazer uma oração que poucas vezes na vida eu fiz verdadeiramente de corpo e alma: pedi a Deus que, se preciso fosse, mudasse tudo de lugar. Tudo que eu segurava eu soltei, pedi a Ele que me tirasse tudo, assim como fez com Jó. Nessa hora pensei em tudo e todos que eu tinha pavor de soltar ou perder, mas inundada de uma coragem que só a fé em Deus nos dá, eu disse com toda a verdade da minha alma que Ele podia levar tudo; mas que por misericórdia devolvesse o meu brilho pela vida. Eu já não era mais a mesma. (…)


Eu sei o que conversei com Deus naquele dia. Eu sei o que naquele momento de intimidade nós combinamos. E mais uma vez, como já aconteceu tantas outras, a partir do meu momento de decisão Deus começou a agir, e do meu lado fiz minha parte. Com Ele, sou invencível! E tenho certeza que já estou justificada e acolhida. Desde então, não perguntei mais nada a ninguém, nem opiniões, nem aprovações; a partir de então eu vou apenas comunicando minhas decisões. “Sou eu e Deus, e mais ninguém.”


Dia 01/12/2023 eu compartilhei uma postagem que dizia: que dezembro seja um final feliz. Era o que eu esperava e acreditava muito que ainda daria tempo. E foi!


Para 2023, o meu MUITO OBRIGADA. A Tamyres que, com toda certeza e com a benção de Deus, será muito feliz em 2024, tem tudo a agradecer a cada vez que eu disse “que ano FDP”! 




PS: Sobre “as companhias”, uma lição vivida mais uma vez de que não é nelas que devemos depositar nossa confiança e felicidade. Afinal, às vezes até quando elas estão aqui a gente continua sozinha. (…) 


No final é sempre você com você mesma!


“O amor é uma escolha, não é uma necessidade! Eu gosto de você, mas eu não preciso de você.”

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