Sei que me visitas. Tua presença impalpável sinto nos meus dias. Necessito falar-te, embora ouça uma resposta indistinta. Minha dor te procura, és como um ímã.
Os pesares de agora são como os gatos que miavam à noite, desesperadamente, sobre o telhado de nossa casa; o meu susto de menina te chamava, mas tua voz e tua mão, naquele tempo, ropendo o escuro, me tranquilizavam. A noite me remete as brandas palavras que sabias para o sono, mas a voz da noite não é a tua.
Olho para minha mãos onde escreveste as tuas leis com castigos e carinhos, porém, para meu mal, algumas dessas leis não tenho observado...
No silêncio da noite, late um cão, agredindo inutilmente o vácuo; e é como se me interpretasse a dor, no sem-eco da solidão. Embora a minha voz venha a perder-se, ou a tua mão não me atinja, tenho necessidade de falar-te, voltar sempre a ti ainda, por que sou o turbulento rio de que és a calma origem.
Nenhum comentário:
Postar um comentário