Do olhar é que eu me lembro mais. Lembro também, é claro, da voz rouca, do sorriso, do jeito meio desengonçado de andar.. Ah, como eu poderia esquecer? Quantas vezes eu quis desvendar aquele olhar, quantas vezes eu coloquei os meus olhos pra conversar com os dele, e, sim, dava certo, eles se entendiam! O problema eram as nossas bocas que se recusavam a todo custo a falar o que os nossos ouvidos queriam ouvir. Nossa, perdi as contas das vezes em que eu pedi, esperei, desejei do fundo da minha alma que, após dar aquele sorriso encantador, ele me dissesse enfim aquilo que eu sabia que ele queria, mas tinha medo. Eu sempre soube que era medo, no fundo eu sabia, eu só não entendia como era possível tanto medo, de onde vinha, ele, um homem, tão inseguro assim?! Eu não achava possível. Mas não, ele era apenas um menino, e eu sei que ainda é...
Quantas vezes eu sofri por não acreditar que ele fosse tão menino assim, tantas possibilidades vinham à minha cabeça, e até de cafajeste eu o chamei. Mas não é que eu seja rude, eu apenas sentia demais, queria demais, tinha pressa demais. Eu sabia (ou achava) que aquilo era pra mim, e que eu não podia deixar o tempo passar demais. A hora era aquela, e, se eu deixasse ele me perder de vista, a gente não ia viver nosso amor. Pois bem, foi o que aconteceu.
Eu digo hoje que o esqueci, mas eu tenho uma péssima mania de, de vez em quando, remoer coisas do passado. E eis que em uma dessas viagens ao tempo perdido - perdido no sentido de que não o possuo mais -, eu vi uma foto dele que trazia naquele olhar toda a nossa história.
E, portanto, aqui voltei: neste blog onde 90% dos posts são sobre ele, ou para ele.
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